RESUMO
Em um contexto polarizado e complexo, a pandemia de COVID-19 ressaltou, entre várias crises, a da hesitação vacinal. Estudos apontam alta intenção de vacinar no Brasil, porém os dados oficiais indicam cobertura vacinal insuficiente. Com o objetivo de identificar a percepção e as atitudes dos brasileiros, foi realizado um estudo empírico utilizando a técnica de survey, totalizando 2.069 entrevistas domiciliares com pessoas com 16 anos ou mais em centros urbanos de agosto a outubro de 2022. Utilizamos técnicas estatísticas multivariadas, análise fatorial e modelos de regressão. Em geral, os entrevistados expressam visão positiva em relação às vacinas, mas os resultados da pesquisa sugerem que a confiança nos imunizantes pode estar abalada. Os graus de escolaridade e de conhecimento científico afetam algumas das atitudes dos brasileiros sobre as vacinas. Foram construídos índices considerando valores, trajetórias, contexto de vida e hábitos dos entrevistados. Para além da região de moradia e religião, índices de paridade de gênero, visão do papel do Estado e a confiança na ciência trouxeram informações relevantes, indicando a necessidade de estratégias alinhadas de comunicação com públicos diversos, considerando as variáveis que impactam a percepção sobre as vacinas.
